Vip o resto da vida

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Nuno Figueiredo

29 de set de 2020

· 4 min de leitura

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Uma mulher entrou em trabalho de parto durante um voo da EgyptAir. O que poderia ser uma tragédia virou uma aventura com final feliz. Havia um médico a bordo, e o bebê nasceu nas nuvens.

A companhia aérea resolveu presentear o recém-nascido com passagens grátis em todos os seus destinos, para o resto da vida. Será que isso é para valer?

Bom você pode ler a respeito neste link

Bebê nasce em voo e agora podera viajar de graca para o resto da vida

Antes de você sair planejando para fazer o mesmo e garantir as viagens do seu próximo filho, cuidado, nem sempre essas promessas são cumpridas.

Em 2017 a Nathalia Alves caiu numa correnteza em frente ao restaurante Paris 6. Virou meme porque foi filmado. Ao se identificar, ela transformou a sua pequena tragédia em popularidade. Ganhou muitos seguidores no Instagram, e ganhou do restaurante refeições grátis de forma vitalícia. Um ‘Vip vitalício’ como informou o restaurante.

Você pode ler mais a respeito do caso da Nathalia neste link.

E eu comecei a me perguntar quem paga essa conta. Como esse tipo de caso ganha uma grande popularidade, e sai em tudo o que é lugar, quem faz a oferta ganha uma enorme publicidade grátis.

Isso consegue ser mensurado em dinheiro, com base em quanto custaria anunciar em todos aqueles veículos de comunicação.

Sem falar que um anúncio não tem a mesma divulgação que uma notícia. Não dá nem para comparar. Logo, eu entendo que as empresas além de cometerem uma boa ação, ainda lucram com isso, mas a conta não fecha quando se fornece algo pro resto da vida.

E antes que alguém saia preparando seu ‘acidente’ perto do seu estabelecimento preferido, o primeiro cuidado é que isso ocorre e vira notícia porque é raro. Se virar algo comum perde o efeito.

É aquele velho ditado: um cachorro mordendo um homem não é notícia, mas se o homem morder o cachorro, aí sim temos algo a divulgar.

E temos a história do Chico, um cachorro que destruiu um colchão durante a ausência de sua dona. Você pode ver o estado que ficou o colchão nesta reportagem a respeito feita pelo SBT.

Cão Chico conquista a internet após destruir quarto da dona | Primeiro Impacto (24/07/19)

A Zissou, uma startup que está inovando nesse mercado de colchões, ao ver que essa história viralizou, correu para acudir a dona do Chico. E eles ganharam uma farta mídia grátis em vários portais, jornais, e até na televisão.

Foto do blog da Zissou
Foto do blog da Zissou

Na foto acima, do blog da Zissou, os presentes dados, além de uma terapia canina (sim, isso existe!) que acompanhou o Chico para ele não aprontar de novo.

Assisti uma palestra de um dos fundadores da Zissou a respeito da empresa, e de como eles usam bem esses eventos virais para promover a marca.

A diferença é que a Zissou está atenta a esses eventos virais que se relacionem com seus produtos, e atua rapidamente. Não é mero acaso, é algo inteligente e planejado.

A segunda diferença está na oferta. Ela não ofereceu colchão novo pro resto da vida. E nem precisava fazê-lo. A oferta da Zissou eu entendo, e ela se paga na divulgação obtida.

As demais ofertas de voo e comida grátis pro resto da vida não fazem sentido, economicamente falando. Não tenho nenhum elemento para saber se esse tipo de promessa será cumprido, nem tenho porque duvidar da palavra dessas empresas. Apenas não faz sentido.

Diferente o caso do Silvio Santos, que resolveu elogiar no ar uma série da Netflix sobre a Bíblia. Após rasgar elogios, o Silvio brinca que deveria ganhar um mês de graça pela propaganda que estava fazendo.

Neste vídeo você pode ver a excelente propaganda feita pelo Silvio Santos e a pronta resposta da Netflix. Ninguém menos que Reed Hastings, o CEO da empresa respondendo.

A resposta da Netflix foi uma assinatura vitalícia para o Silvio. Igual aos anteriores? Não, primeiro dar uma assinatura vitalícia para um homem de 80 anos, não é igual a dar passagens grátis para um bebê. E algo digital, como é o caso da Netflix, tem um custo marginal, bem diferente do custo de refeições ou de passagens aéreas grátis por muitos anos.

A Netflix agiu rápido e acertadamente.

No mínimo eu recomendaria ao pessoal de Marketing das outras empresas dar uma ligada lá na Zissou e aprender como deve ser feito. VIP sim, pero não vitalício.

 

Nuno Figueiredo

Engenheiro Eletrônico formado pela Mauá, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é um dos fundadores da Signa, onde atua desde 95. Entre outros defeitos, jogou rúgbi na faculdade, pratica boxe e torce pelo Palmeiras.

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