A Teoria do Catchup

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Nuno Figueiredo

23 de mar de 2021

· 4 min de leitura

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Em 2003 Nicholas Carr escreveu um artigo muito impactante e provocativo “IT Doesn’t Matter”, basicamente dizendo que investir em tecnologia da informação não importava muito para o negócio.

Basicamente ele comenta que se todos investem em TI, isso é uma commodity que não agrega diferenciais. Ele ainda cita que investimentos em TI não geram ganhos de eficiência e produtividade.

Recentemente descobri a teoria do Catchup que exemplifica bem, porque esse tipo de pensamento é tão errado.

De certa forma Carr reclamava que TI às vezes cria problemas que não existem, como o caso do bug do milênio.

O artigo do Carr me lembra um pouco a história do cara que trabalhava no escritório de patentes:

"Tudo que podia ser inventado já o foi"

*Charles H. Duell, Diretor, Departamento de Patentes dos Estados Unidos, 1899, ao propor o fechamento da sessão de registro de novas patentes.

Não pretendo perder muito tempo defendendo porque TI é essencial, mas sim porque essa linha de pensamento de tempos em tempos retorna à mesa. Isso vem diretamente da dificuldade de quantificar e analisar o retorno que investir em tecnologia pode gerar.

E também é relevante dizer que se você é o único iluminado que está na contra mão, não se preocupando com a Transformação Digital, é mais provável que você esteja fora do jogo em breve, do que você seja um gênio fora da curva.

Interessante notar que o Nicholas Carr não está sozinho. Em 1987, o economista Robert Solow também fez uma análise parecida que ficou conhecida como o paradoxo de Solow.

“You can see the computer age everywhere but in the productivity statistics.”

“Você pode ver a era do computador em qualquer lugar, menos nas estatísticas de produtividade.”

Você pode ler mais a respeito do paradoxo de Solow aqui.

E chegamos na teoria do catchup, que é um conceito bem interessante. Uma inovação, independente de quão revolucionária seja, quase sempre inicia com um efeito pequeno no meio onde ela é inserida. Às vezes são necessários anos para que um novo conceito ou tecnologia seja entendido, e é necessário tempo para que as pessoas aprendam a usar com eficiência.

Além disso existe a questão do custo que tende a cair nos ganhos de escala, tornando a tecnologia mais acessível.

E não vamos esquecer do lado cultural. Não raro, a tecnologia está disponível e não é usada, ou é usada de forma muito precária. Um excelente exemplo são as soluções de videoconferência e chat. Vivemos a onda do ZOOM.

O Zoom é um campeão de vendas e acessos, foi uma das soluções mais vitaminadas pela pandemia, e certamente você, assim como eu, deve estar um pouco saturado de tanto Call que tem feito por este software ou similar.

Não custa lembrar que o Skype foi lançado no longínquo ano de 2003. A empresa foi vendida para o eBay em 2005 e desde 2011 pertence à Microsoft.

Dá vontade de bater a cabeça na parede pensando em quantas horas, deslocamentos e viagens teriam sido economizados usando esta tecnologia. Não é difícil fazer essa conta.

E chegamos na teoria do catchup. Tecnologia funciona um pouco que nem uma garrafa de catchup. Você balança, balança e no começo sai muito pouco catchup, quando sai, de repente ele sai de uma vez e inunda o seu sanduíche.

Quem faz a lição de casa diariamente, de uma hora para outra, se torna eficiente. Confundir o tempo necessário para que tecnologias floresçam e a inutilidade das mesmas é um erro que pode custar muito caro.

 

Nuno Figueiredo

Engenheiro Eletrônico formado pela Mauá, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é um dos fundadores da Signa, onde atua desde 95. Entre outros defeitos, jogou rúgbi na faculdade, pratica boxe e torce pelo Palmeiras.

Foto: Freepik

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