A teoria da cenoura

Você pode estar sendo motivado pelo seu chefe com base na “Hipótese da Mediocridade das Massas”. Talvez você não saiba disso, e é provável que nem o seu chefe saiba, apesar de seguir este conceito. Esta teoria também é conhecida como Teoria X.

Este modelo se baseia em incentivo ou punição, leva à desconfiança, e não raro, a um clima onde as ameaças fazem parte do cotidiano.

Ou talvez a sua empresa siga a Teoria Y, que confia mais no ser humano. Parte do pressuposto de que as pessoas são esforçadas e gostam de ter uma ocupação, e não se movem unicamente pelo dinheiro, mas também pela obra a ser feita e pelo reconhecimento.

As duas teorias foram desenvolvidas por Douglas McGregor, economista e professor universitário no MIT, na década de 60.

A Teoria X

A teoria X parte do pressuposto de que as pessoas são relutantes e precisam ser convencidas a correr atrás de algum objetivo.

A teoria X dá uma desculpa quase pronta para uma eventual falha: a limitação do recurso envolvido. O McGregor acreditava que a teoria X era capaz de atender somente as necessidades mais básicas do ser humano, e que somente a teoria Y poderia produzir a excelência, com as pessoas alcançando as suas necessidades (de alto nível) e auto respeito.

A teoria X se baseia em recompensa ou punição, e isso nunca será o suficiente. Como escreveu McGregor.

"O homem é um animal carente, assim que uma de suas necessidades é satisfeita, outra aparece em seu lugar".

Você provavelmente já ouviu falar da teoria X como sendo a “Teoria da Cenoura”. Para motivar alguém basta você usar duas cenouras: uma na frente e outra atrás. Cada um escolhe se quer correr para ganhar a cenoura da frente ou para fugir da cenoura que vem atrás.

A Teoria da Cenoura

Esta teoria espera o pior das pessoas. Elas não gostam de trabalhar e precisam de incentivos para se mexerem, sejam estes positivos ou negativos. Ela cai facilmente na micro gestão, porque um de seus conceitos é que as pessoas fogem das responsabilidades sempre que puderem.

Uma pedra fundamental em qualquer relação de trabalho é a troca. Você troca algumas horas diárias de seu trabalho por uma remuneração. A base dessa relação é que você vai atender aos requisitos do trabalho e desempenhar de forma pelo menos razoável as tarefas, caso contrário você não serve para a vaga e será demitido.

A possibilidade da demissão é algo inerente à ocupação.

Da mesma forma o recurso escolhe onde quer trabalhar, e se o ambiente de trabalho e a remuneração não valem a pena, ele pode demitir o chefe e procurar outro emprego.

A possibilidade de se demitir é também inerente ao trabalho.

Logo, parece não fazer muito sentido que nenhuma das partes mencione essa possibilidade. Se esta é frequentemente mencionada há um claro ambiente baseado na ameaça. Isto mexe com o que é mais básico na teoria do Maslow: a necessidade de segurança.

A demissão é o equivalente à morte no trabalho. Se vivermos pensando na morte ficamos paralisados. A forma de tocarmos a nossa vida é achar que isso vai acontecer num futuro tão remoto que não vale a pena se preocupar com isso. Um gestor que vive lembrando a sua equipe que cabeças podem rolar é um claro adepto da Teoria X.

A Teoria Y

Já a teoria Y é mais otimista. Ela diz que as pessoas farão o seu melhor se estiverem alinhadas com os objetivos gerais da organização.

A teoria Y se baseia numa estrutura menos hierárquica das organizações. As pessoas teriam capacidade de autogestão e automotivação.

Aqui o trabalho é algo natural que faz parte da rotina e da necessidade do ser humano. Dadas as condições adequadas, as pessoas farão bem o seu trabalho sem a necessidade de uma cenoura, não importa de que lado.

Não precisa pensar muito para ver que na teoria Y o ambiente de trabalho é melhor, porque é baseado na confiança.

Este tipo de ambiente está mais adequado a formas mais modernas de trabalho, como o Home Office.

De volta a Maslow

Já falamos no post “A falsa pirâmide de Maslow” que o Maslow não fez o desenho da pirâmide, e que este induz a alguns conceitos equivocados da teoria.

Um dos problemas com a pirâmide é acreditar que um homem que tem as suas necessidades básicas atendidas não pode mais ser motivado para satisfazer essas necessidades. Maslow nunca fez tal afirmação, ao contrário, ele dizia que o mais comum é estarmos parcialmente satisfeitos e parcialmente insatisfeitos ao mesmo tempo. Assim, parece que funcionaremos melhor na Teoria Y.

O próprio McGregor estava desenvolvendo no final de sua carreira a Teoria Z, que traria um mix das duas teorias anteriores. O mais provável é que não seja possível enquadrar as pessoas nesta ou naquela teoria. Somos muito complexos. Há gente que trabalha muito bem em determinados ambientes e muito mal em outros.

O que existe é uma cultura organizacional que pode estar mais perto ou mais longe das características de um determinado recurso, o que justifica que não existe o recurso certo ou o errado, e sim o que é apropriado para as crenças e a realidade de uma determinada empresa.

 

Nuno Figueiredo

Engenheiro Eletrônico formado pela Mauá, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é um dos fundadores da Signa, onde atua desde 95. Entre outros defeitos, jogou rúgbi na faculdade, pratica boxe e torce pelo Palmeiras.

 

Foto: Airfax

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1 Comentarios
  • Fabio Alves - 12/06/2019
    Fala Nuno! Excelente matéria! E qual teoria vocês aplicam na sua empresa? Forte abraço!