O teu post te condena

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Nuno Figueiredo

09 de set de 2021

· 4 min de leitura

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Não publique algo nas mídias sociais que você não possa mostrar para a sua mãe.

É uma boa dica. Em tempos mais polarizados não custa lembrar que nada justifica a falta de educação. É sempre de bom tom um tratamento civilizado.

Por que será que alguns se transformam quando estão atrás de um teclado?

O mais comum, e recomendável, é restringir o seu conteúdo aos seus contatos. Portanto, são pessoas que você conhece, ou deveria conhecer, de algum lugar. Mesmo que seja um conhecimento superficial, é alguém que você pelo menos cumprimentaria se passasse ao lado.

Há um segundo grupo de pessoas que você aceitou o contato por serem próximas de alguém que já é teu contato, logo pertencem a algum ambiente que você frequenta, ou estão próximas disso.

E finalmente sempre há um grupo de pessoas que você mantém contato somente virtual, nunca viu pessoalmente. Tudo o que você sabe a respeito é meramente a partir de quem ela conhece, e o que ela posta / comenta.

Eu ainda me surpreendo com a diferença de personalidade de algumas pessoas,

sua versão física e a sua versão digital.

E temos o José, por exemplo. Uma pessoa sempre educada. A não ser que esteja brincando, nunca ataca ninguém, não é de xingar. Já a sua versão digital é recheada de palavras como anta, imbecil, burro, jegue, mentecapto, idiota, e por aí vai. Normalmente o José brinda com esses adjetivos quem tem uma posição diferente da sua a respeito de assuntos como política e comportamento.

Ele escreve coisas como: 

“Lá veem as antas defendendo quem anda de boné. Precisa ser um imbecil completo
para ainda achar que hoje em dia se pode andar de boné por aí. Gente xucra, mal informada!
É muita hipocrisia, mas idiota é que nem capim, está em todo lugar.”

Substitua andar de boné pelo tema de sua preferência.

É interessante pensar com quem o José está falando. Certamente ele tem alguns contatos que se enquadram em pensar do jeito que ele condena. Na prática ele está diretamente ofendendo alguns de seus contatos, algo que ele não faria se os mesmos estivessem na sua frente, ainda que falando desse assunto.

O José é um nome fictício obviamente. Mas estamos recheados desse tipo de atitude, parece que a educação não é necessária quando estamos no mundo digital.

Isso já pega num ambiente controlado, quando você está postando somente para o teu círculo. Quando a coisa vai para fóruns públicos, aí é uma terra de ninguém. Algumas pessoas esquecem que os algoritmos expõem os teus comentários públicos para a tua rede de contatos.

E aí sou convidado a ver o que o José escreveu naquela post do UOL, por exemplo. É muita vergonha alheia.

Me lembro de ver a postagem do filho de um amigo do clube que eu frequento. Ele respondia para alguns amigos, pedindo para pararem de mandar para ele as merdas que o pai dele escrevia na rede. Ele não concorda com nada disso e estava de saco cheio de receber esse tipo de alerta.

Daqui sai mais uma dica: Não poste nada que faça os seus filhos terem vergonha de você.

E temos o efeito mais danoso de tanta verborragia: a confusão entre o lado pessoal e o lado profissional. Você no seu tempo livre tem o direito de fazer o que quiser, e claro, existe a liberdade de expressão, mas hoje é muito fácil alguém que fique incomodado com eventuais ofensas e resolva dar ciência à sua empresa desse conteúdo.

Quase sempre a mensagem pergunta se a empresa, e seus valores, concordam com a postura do seu colaborador. E lá vem junto o print daquela conversa onde você estava extravasando e lacrando em cima de sei lá o que.

É comum achar noticias de gente que foi desligada da empresa após alguma ocorrência deste tipo. No mínimo vai chamar a atenção negativamente.

E é muito fácil evitar este tipo de problema, basta não deixar a educação de lado. É possível debater e defender qualquer ideia, sem partir para agressões verbais.

E como quando um não quer, dois não brigam, você precisa aprender a ignorar os ignorantes. Normalmente encerro qualquer debate indicando que não vou continuar a conversa nesses termos.

Afinal de contas o que você posta, compartilha e comenta diz muito a respeito de você. É o caso de refletir se é essa a imagem que você gostaria de passar. Quando a sua persona digital não bate com a sua persona física, qual é a verdadeira?

 

Nuno Figueiredo

Engenheiro Eletrônico formado pela Mauá, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é um dos fundadores da Signa, onde atua desde 95. Entre outros defeitos, jogou rúgbi na faculdade, pratica boxe e torce pelo Palmeiras.

Foto: Freepik

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Ultimos comentários

GIVALDO FERREIRA DE MELO

Qdo nos relacionar qto a tecnologia da Signia dispensamos todo e qualquer comentário. Pq tudo que falarmos ainda falta palavras.

Hélio

👏👏👏