O Fenômeno

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Nuno Figueiredo

20 de mar de 2009

· 3 min de leitura

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fenômeno
futebol
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O Ronaldo virou um assunto onipresente. Difícil de ignorar, até para os que não gostam de futebol. Sua trajetória de vida e as suas n voltas por cima. Sem falar do talento que tem com a gorduchinha. Ele é atualmente, o centro das atenções.

Mesmo sendo Palmeirense (com P maiúsculo!), eu torço pelo Ronaldo.

Tenho lido muito a respeito dele, mas dois artigos me chamaram a atenção para algo ainda mais importante do que o fato do fenômeno fazer ou não um gol. Em seu blog Manual do Executivo Ingênuo, o Adriano Silva escreveu um artigo fascinante, sob o título: O que tira você da cama?. Ele afirma que o Ronaldo já ganhou estimados R$ 600 milhões de reais e ainda encontra motivação para continuar enfrentando desgastes e críticas, quando poderia estar tranquilo aproveitando a vida.

Isso realmente é intrigante. O que nos motiva a seguir em frente. Um excelente artigo que vale uma visita.

Mas, voltando ao fenômeno, me chamou muito a atenção um artigo do Gilberto Dimenstein na Folha de São Paulo em 16/03/09. Ele enxergou algo ainda mais positivo neste assunto. Não resisti e anexei abaixo o artigo.

Boa leitura.

 

Quanto vale Ronaldo? - Gilberto Dimenstein

O jogador Ronaldo virou atração nacional pelo seu desempenho nos últimos jogos, quando transmitiu a imagem de que estava renascendo das cinzas --até pouco tempo, só se falava nas suas contusões, no seu peso e, para completar, em seus escândalos sociais, metido no mundo das celebridades. A gordura era a tradução do descaso, da falta de responsabilidade, de foco. Afinal, já tem tanto dinheiro, por que se esforçar? Mas será que ele pode ser tornar um bom exemplo educativo para os jovens?

O psiquiatra Içami Tiba, especialista em educação, comentou comigo que o jogador está dando uma amostra de resiliência, ou seja, a habilidade de não perder a garra, depois dos traumas --no meu site, aprofundo o conceito de resiliência. É algo, segundo ele, que se desenvolve em casa e, depois, na escola.

É consenso entre educadores que se dissemina a chamada Geração Tanto Faz, composta de crianças e adolescentes cercadas de proteção e, por isso, sem treino para suportar obstáculos e frustrações. Tudo tem de ser fácil e imediato --e divertido. Falar que a conquista de amanhã depende do esforço de hoje faz pouco efeito.

Criam-se assim seres fracos, sem projetos, incapazes de enfrentar desafios --portanto, dependentes.

Com seu culto às celebridades, que valem não por quanto pesam, mas pelo que aparentam, a sociedade reforça o estímulo da "Geração Tanto Faz". Gente que não fez nada vira sucesso, basta ficar uns dias no BBB. Some-se a isso que, por falta de projetos coletivos, o consumo se transformou quase num vício, estimulando a busca do prazer imediato e descartável.

Se Ronaldo continuar nesse ritmo, treinando duro, se aplicando, acabaria sua carreira por cima. Talvez nunca mais volte à seleção --mas terá agido como educador. É muito melhor do que ser lembrado pelos escândalos sexuais.

 

Nuno Figueiredo

Engenheiro Eletrônico formado pela Mauá, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é um dos fundadores da Signa, onde atua desde 95. Entre outros defeitos, jogou rúgbi na faculdade, pratica boxe e torce pelo Palmeiras.

Foto: Renan Katayama

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