O Caos no transporte marítimo

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Nuno Figueiredo

29 de set de 2021

· 4 min de leitura

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Estamos vivendo um caos no transporte marítimo internacional. O consumo impulsionado por um monte de gente em Home Office, explodiu a demanda, o que levou a um gargalo no transporte, com transit times mais elásticos, e o preço do frete subindo de elevador.

Um dos motivos apontados para o problema é a concentração de empresas de navegação. Vamos analisar se isso, de fato, é a origem do problema.

É sempre interessante notar que mercados que já passaram por altas doses de concentração apontem o dedo para outros dizendo que eles não podem se agrupar. Menos empresas significa menos concorrência e aumento de preços, diz o mega conglomerado que já fez vários processos de fusão e aquisição.

Concentração para mim ok, para os outros, nem pensar!

O fato é que as empresas de navegação estão operando em capacidade máxima

e não se aumenta a oferta neste tipo de indústria de forma rápida.

Os investimentos são sempre com visão de longo prazo.

Em entrevista ao Globo, o CEO da Log-in Márcio Arany ainda lembra o impacto da Covid na oferta de navios. Ele comenta que a tripulação chegava num hotel dois dias antes, agora é necessária uma quarentena de cerca de dez dias.

O Arany se refere ao impacto na Cabotagem. O problema ocorre também na operação do Longo Curso, que é como o mercado chama o transporte internacional de cargas por navios.

O Cláudio Loureiro de Souza, diretor-executivo do Centronave, comenta em reportagem do Valor: “Não podemos ter navios parados 14 dias em quarentena. Temos total respeito às regras sanitárias, mas não é navio que pega Covid, é o tripulante”.

Este é um fator que impacta diretamente no custo e na disponibilidade de navios.

E falando de concentração, é uma preocupação justa o tamanho que algumas corporações podem ter; já falamos sobre isso a respeito das big techs. Estas empresas de tecnologia, segundo reportagem do Valor, gastaram ao menos US$ 264 bilhões comprando possíveis futuros rivais em 2021. Eles miraram em startups cujo valor era inferior a 1 US$ bilhão, com alguns negócios superando esse patamar.

Em alguns mercados simplesmente não cabe um número expressivo de empresas. No Brasil só tem uma empresa que produz e vende aviões: a Embraer.

Me parece haver mais regulação e atenção em mercados como o da Navegação do que em outras indústrias, mas isso é mero achismo meu.

Na Cabotagem há três empresas que podem operar a movimentação de contêineres no Brasil. É um mercado regulado. Uma concentração seria certamente barrada pelo CADE. E temos o projeto BR do Mar que está propondo relaxar algumas barreiras de entrada para permitir o surgimento de novos entrantes, e ainda permitir o aumento da capacidade de atendimento das empresas já instaladas.

Nesse sentido a Cabotagem está com uma tendência oposta ao que vemos no longo curso,

onde ainda há espaço para mais concentração.

O último movimento foi feito pela Maersk, que adquiriu a Hamburg-Sud.

De uma forma mais ampla, o mercado de transportes e logística no Brasil está em processo de consolidação. Ainda é um mercado extremamente fragmentado, onde o maior player tem share bem inferior a 10%, ou seja, há muito espaço para operações de fusão e aquisição.

Se formos olhar com o share que tem os grandes bancos, por exemplo, não dá para comparar.

Uma reportagem da BBC News informa que há 65 navios de carga que aguardam em fila nos portos de Los Angeles e de Long Beach. Antes da Covid era incomum mais de um navio aguardando por uma vaga.

Esse acúmulo se deve mais ao aumento de demanda ocasionada pela reabertura das economias do que pela concentração dos players. A tendência é que isso se estabilize somente no ano que vem. Até lá, na falta de uma solução, o jeito é reclamar da consolidação.

Nuno Figueiredo

Engenheiro Eletrônico formado pela Mauá, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é um dos fundadores da Signa, onde atua desde 95. Entre outros defeitos, jogou rúgbi na faculdade, pratica boxe e torce pelo Palmeiras.

Foto: Freepik

 

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